quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Google pode encerrar Orkut no Brasil

Culpa dos delinquentes que se aproveitam da impunidade para injuriar, difamar, caluniar, ver criança pelada, etc. Quem nunca participou de uma discussão e foi recebido de forma "calorosa" pelos adeptos da opinião contrária? Impõe-se as razões pela opressão. Pessoas escrevem muito bonitinho para defender suas convicções, mas não tem autocrítica. Simplesmente escrevem: -Injuriar alguém é um crime bárbaro, isso tem que acabar e os responsáveis tem que ser punidos, seu bostão imundo filhodaputa! Pois é, o problema é que no Orkut as ofensas ficam registradas. Estão lá, escritas, gravadas nos servidores e disponíveis para todo mundo ver a qualquer hora. E a Google tem enfrentado muitas ações judiciais decorrentes exatamente dos crimes cometidos pela rede social.

Sinceramente eu não acredito que isso vá realmente ocorrer, por muitas razões: 1.O mundo aposta nas economias emergentes, cujos povos são/serão numerosos potenciais consumidores. 2.Toda a informção inserida no Orkut serve/servirá enormes bancos de dados valiosíssimos para o marketing. 3. A arrecadação obtida com a venda/uso dessas informções supera/superará em muito o valor das atuais/prováveis indenizações pagas a usuários ofendidos, danos e despesas com o jurídico. 4. O Orkut é disparado a maior rede social do Brasil. Aliás, brasileiro quando agarra em coisa ruim não solta mais, como já ocorreu com o MSN (saudades do ICQ).
Bom, confiram a informação aqui. Encotrei graças ao Peopleware.

sábado, 27 de setembro de 2008

Amiga de Mendes pressionou contra prisão de Dantas, diz juiz

À 'Época', de Sanctis afirma que desembargadora lhe contou que presidente do STF estava 'irado' com pedido

O juiz Fausto de Sanctis,da 6ª Vara federal de São Paulo, disse em entrevista à revista Época, publicada neste sábado, que foi pressionado pela desembargadora Suzana Camargo para voltar atrás no pedido de prisão preventiva do banqueiro Daniel Dantas, nos dias que se seguiram à deflagração da operação Satiagraha, da Polícia Federal.


"Ela me disse que ele ( o presidente do STF, Gilmar Mendes) estava irado com a notícia de que eu teria decretado a prisão preventiva de Daniel Dantas e gostaria de confirmar essa decisão", disse o juiz.

Segundo de Sanctis, a desembargadora começou o diálogo invocando a condição de amiga pessoal do presidente do STF e disse que Mendes estava 'irado' com o novo pedido de prisão. Ainda de acordo com o juiz, a conversa telefônica foi testemunhada por outras três pessoas.

Na entrevista, de Sanctis ainda nega ter ouvido grampos gravados ilegalmente envolvendo Gilmar Mendes. "Nunca soube da existência de grampo ilegal ou clandestino e não determinei nenhuma interceptação telefônica e telemática do ministro ou de seu gabinete", afirmou.

Fonte: Estadão.com.br

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Você Sinceramente Acredita que Vivemos numa Democracia?

Vimos recentemente que quando um banqueiro é preso no Brasil (digo preso de mentirinha, quero dizer investigado, porque banqueiro preso é como o Pé-grande), ele recebe várias regalias. Os Habeas Corpus contrariam Eistein, e são julgados mais rápidos que a velocidade da luz, e diretamente pelo presidente do STF. Logo vêm as normas beneficiando tais sujeitos. Falo da Súmula 11 daquele Tribunal, que livra-os do uso de algemas. Há outros fatos e outros truques caros amigos (imaginem nos bastidores), mas fiquemos só com estes para não nos enraivarmos e deprimirmos por demais.

Reservei ainda, especialmente para este post, dois textos extraídos do site Consultor Jurídico. O primeiro trata da Lei da Mordaça da represália sofrida por um Procurador do Rio, que criticou a Súmula 11. O segundo trata de um puxa saco do Min. Gilmar na imprensa vendida uma matéria publicada na Folha de S. Paulo, defendendo as atuações do presidente do STF. Uma observação importante é feita ao final do primeiro texto. Dantas, privatização das teles, Gilmar Mendes Advogado Geral... Não cheira bem.

Também quero aproveitar para postar o vídeo que encontrei, demonstrando que é possível e relativamente simples fraudar urnas eletrônicas. Segue, em inglês:

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Seguro de Vida no Santander é uma Furada!

Não posso deixar de demonstrar meu profundo desgosto pela recente decisão do STJ, que exclui o direito ao seguro de vida no caso de morte por embriaguez. Ao meu ver ela vem apenas confirmar a tese de que os bancos estão acima da Lei e da própria Constituição Federal.

Enquanto os juízes e desembargadores fazem reuniões com executivos bancários para "discutir assuntos de alto nível" em Comandatuba, tudo pago pelos bancos é óbvio, cláusulas abusivas são inseridas nos contratos "às escuras". Aguardem, logo logo o seguro de vida nunca vai cobrir o evento morte.

TOGAS, MÁFIAS, IMUNDÍCIE E INOPERÂNCIA.

Me chamou a atenção o post do blog Visão Panorâmica cuja autoria é de Arthurius Maximus falando de um caso de corrupção que envolve o juízes, advogados, uma família e um professor da UERJ. Resolvi republicar aqui e é o que segue.
_________


Volta e meia, vemos a OAB criticando os órgãos da administração em todos os níveis. Seus diretores vomitam lições de moral e exigem privilégios absurdos para seus membros; como se um advogado fosse um ser acima do bem e do mal e incapaz de se corromper como qualquer ser humano normal.
Pois é, muito longe disso. O que vemos normalmente é uma crescente torrente de advogados envolvidos e trabalhando exclusivamente para o crime. Para esses, a OAB parece estar corriqueiramente cega e alheia a seus desmandos e armações.
Os advogados que foram pegos trabalhando para o PCC em São Paulo e que corromperam um funcionário do Senado Federal para obterem a gravação de uma seção secreta da casa; foram "punidos" pelo gravíssimo crime com uma mera suspensão. Resultado: Foram presos novamente servindo ao crime como membros atuantes da elite do PCC.


Da mesma forma, o sindicato dos aeroviários, aqui do Rio de Janeiro, foi vítima do que parece ser um golpe bem planejado e aplicado por advogados, juízes e outros membros da "elite" judiciária. O advogado Marlan de Moraes Marinho Júnior, que é filho do desembargador aposentado em 2006 Marlan de Moraes Marinho e irmão do juiz de Direito Marcelo Almeida de Moraes Marinho, da 24ª Vara Cível do Rio. (Reportagem Completa)
Até aí tudo bem. Uma família que abraçou a mesma profissão honrosa. Nada mais normal do que isso. Não é mesmo? Contudo, coisas estranhas aconteceram nessa família; por exemplo:
O advogado arrematou dezessete salas comerciais avaliadas em R$ 800 mil, pelo módico valor de R$ 200 mil. Sorte? Competência no leilão? Um acaso divino e providencial? Pode até ser. Mas quando de examinam a cadeia de eventos que culminou com a compra das salas; nota-se que algo de muito estranho aconteceu.
Em primeiro lugar; as salas foram a leilão porque o sindicato tinha uma dívida de condomínio no vaor aproximado de R$ 163 mil e o cheque dado à justiça para a quitação foi devolvido. Até aí, "tudo bem"; você pode dizer. Só que o cheque só foi devolvido porque a conta do sindicato foi bloqueada para o pagamento de uma outra dívida, no valor de R$ 24.081,34. O "requinte" da coisa, foi que o saldo da conta do sindicato era de R$ 250 mil. Ou seja, ao invés do juiz determinar o bloqueio do valor exato da dívida. Ou de digamos… trinta mil reais. Foi ordenado o bloqueio do saldo total da conta. O que inviabilizou o pagamento do condomínio e provocou o leilão.
Mas, então, você diz: "E daí?"
Daí que quem ordenou, de forma estranha, o bloqueio de um valor quase dez vezes maior do que o necessário para pagar a dívida que executava, foi o juiz Marcelo Almeida de Moraes Marinho, da 24ª Vara Cível; irmão do comprador. Notou a "estranheza" da coisa? Um verdadeiro negócio "fraterno".
A OAB, agora, diz que vai investigar. No entanto, já sabemos que mesmo sendo declarados culpados, ambos nada tem a temer desse órgão que é tão consciencioso com maus profissionais e com criminosos da pior espécie.
Ah! Eu já ia me esquecendo. O "ilustre causídico" ainda é professor-auxiliar de Direito Civil na Universidade Estadual do RJ. Bela formação esse pessoal vem tendo.
E você leitor; o que acha disso?

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Dica de Blog

Talvez o blog sobre política que chegue mais próximo de expressar o que pensamos e sentimos sobre a política atual. BEEEM apimentado.

Aqui.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

100 Anos de Perdão?

Policiais são acusados de extorsão contra cúpula do PCC

Enteado de Marcola, líder do PCC, teria ficado dois dias em poder dos policiais

Paulo R. Zulino - estadao.com.br

SÃO PAULO - Dois policiais civis de São Paulo estão sob suspeita de tentar extorquir dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção que age dentro e fora dos presídios paulistas. De acordo com as primeiras informações, pelo menos um policial se entregou, na manhã desta quarta-feira, 30, por suposta ligação com o seqüestro do enteado do traficante Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, principal liderança da facção.

-Não é pra ser igual ao Capitão Nascimento?

Segundo as primeiras informações, a ação teria acontecido em 2005. A suposta vítima teria passado dois dias em uma delegacia, enquanto os policiais extorquiam a cúpula do PCC. O valor que teria sido exigido pelos agentes à organização criminosa seria de R$ 250 mil. A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Segurança Pública apurou preliminarmente que o caso está a cargo das corregedorias de polícia de Mogi das Cruzes e Suzano, com o apoio do GAECO e da Corregedoria de Polícia de São Paulo. Os dois policiais tiveram contra si a expedição do mandado de prisão.

Origem: http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid165324,0.htm

terça-feira, 1 de abril de 2008

População sai às ruas e Lula sofre impeachement

O povo brasileiro saiu às ruas nesta terça-feira protestando contra a falta de moralidade do governo. O movimento relembrou episódios como o mensalão, sangue-sugas, correios e o recente escândalo dos cartões. Cansados de tanta corrupção, numa marcha à Brasília que reuniu mais de 10 milhões de pessoas, cidadãos brasileiros pintaram suas caras novamente, pedindo o impeachement do presidente Lula.

A manifestação ocorreu também em todas as capitais e grandes cidades, onde a população se reuniu em frente ao poder executivo para protestar.

Diante da situação e sob forte pressão popular os poderes legislativo e judiciário anunciaram a abertura do processo de impeachemant, que terminou hoje mesmo, com a queda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com fortes protestos a população conseguiu também a dissolução da câmara, do senado, e do Partido dos Trabalhadores o PT.

Líderes dos movimentos populacionais dizem que não haverá escolha de novos representantes políticos antes de uma profunda reforma política.

segunda-feira, 31 de março de 2008

A parceria perfeita

PCC quer se infiltrar na política e financiar campanhas eleitorais

Escutas mostram bandidos discutindo como se aproximar dos partidos, por meio de doações a tesoureiros

Marcelo Godoy

A cúpula do crime organizado quer ter representação política. Depois de entrar no tráfico internacional de drogas, o Primeiro Comando da Capital (PCC) quer se aproximar dos partidos políticos e financiar campanhas eleitorais. Seus líderes consideram que a "família" pode garantir muitos votos aos seus escolhidos e tem capacidade de mobilização em dez Estados. "Muitos partidos políticos não têm essa força", afirmou Daniel Vinícius Canônico, o Cego, porta-voz do líder máximo da organização, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Em um diálogo interceptado pela inteligência do governo estadual, Canônico e o segundo homem na hierarquia do PCC, Julio Cesar Guedes de Moraes, o Carambola, conversam com o advogado Sérgio Wesley da Cunha. Eles começam tratando da manifestação patrocinada pela facção em frente do Congresso Nacional, ocorrida em 28 de novembro. "Doutor, sabe qual a intenção dessa passeata?", pergunta Canônico. É o porta-voz de Marcola que responde: "Era pra mostrar para aqueles deputados federais que nós temos força política."

A organização criminosa fretou ônibus em dez Estados para levar manifestantes até Brasília. O objetivo declarado do movimento era fazer um protesto contra o descumprimento da Lei de Execuções Penais.

No meio da conversa, Wesley defende que o PCC deve ter representação política. "Eu sempre falei pro Marcos (Marcola), uma vez que eu conversei com ele longamente, só na grade, olho no olho: ?Marcos, a gente precisa ter uma representação política! O IRA (Exército Republicano Irlandês) que está bem pra cacete lá na Irlanda (do Norte), eles têm o Sinn Fein, que é um partido de representação política!"

Em seguida, Carambola e Canônico questionam o advogado sobre qual candidato a prefeito de São Paulo a facção deve apoiar. Wesley conta quem são os pré-candidatos de partidos como DEM, PSDB e PT.

TESOUREIROS

Nesse trecho, a interceptação do diálogo ficou truncada. Aparentemente, os criminosos discutem como se aproximar dos partidos, doando dinheiro aos tesoureiros para financiar campanhas - há quem desconfie que a facção estaria pensando em se apossar do dinheiro das doações dadas aos partidos.

Embora Wesley diga que trabalhou na campanha de um político importante, os investigadores consideram que essa informação precisa ser melhor apurada. O advogado estaria "vendendo fumaça" para o PCC. "Ele tem um escritório ao lado de um córrego no bairro do Limão. Ele não tem todos os contatos que ele diz", disse uma autoridade que investiga o caso.

Carambola pede ao advogado que faça "esses levantamentos". "Com certeza, porque meu interesse é ganhar dinheiro também", diz Wesley. Canônico pede, então, a opinião do advogado sobre o protesto em Brasília. É quando o homem acusado de ser o principal pombo-correio da cúpula do PCC critica a mídia, que, segundo ele, abafou a manifestação. Uma ligação do gabinete do deputado federal Talmir Rodrigues (PV) para um detento da Penitenciária de Valparaíso já havia mostrado que o PCC estava por trás do ato e tentava se infiltrar no Congresso.

Essa não é a primeira vez que o PCC tenta entrar na política. Em 2002, a facção quis lançar o advogado Anselmo Neves Maia candidato a deputado federal pelo PMN. Maia acabou preso. Em 2006, outro advogado suspeito, Paulo Bravos, teve sua candidatura recusada pelo PV. Naquele ano, a facção planejava eleger um deputado estadual e um federal em São Paulo. O plano fracassou.

(Colado de http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080331/not_imp148447,0.php)

A minha dúvida é se isso já não vem acontecendo.

sábado, 29 de março de 2008

O que é, o que é? Tem nos três poderes e fingimos não ver...

STF compra sofá de dois lugares por R$ 10.650,00

O Supremo Tribunal Federal (STF) comprou esta semana um sofá de dois lugares por R$ 10.650,00. A aquisição foi feita na véspera da posse do ministro e presidente do STF, Gilmar Mendes, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocasião em que criticou a construção de novas sedes para o Poder Judiciário e defendeu critérios para as obras. O ministro também disse que, em alguns casos, pode estar havendo excessos.

A compra do mobiliário, feita por meio de empenho orçamentário (compromisso de recursos para posterior pagamento), lançado no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) na última terça-feira, tem a seguinte descrição: “sofá de dois lugares com duas almofadas soltas e revestimento fixo, totalmente em couro natural, medindo 230x100x85cm. Altura do assento ao piso de 42cm. Cor preta. Referência: sofá longo, coleção shon, design Fabrizio Ballardini 1997. marca Estoline. Prazo de execução dos serviços: 45 dias. Garantia de cinco anos”. Veja o empenho.


O preço pago pelo STF na compra do sofá poderia ter sido ainda maior, pois o pregão eletrônico, realizado no último dia 18, estimava o valor da compra da mobília em R$ 20,5 mil. Sete fornecedores participaram da licitação e o ganhador foi a empresa Ronelito da Costa Pinto. O Contas Abertas entrou em contato com uma revendedora de móveis em Brasília para saber quanto custa um sofá com as mesmas características. A informação é de que a mobília é vendida por R$ 21,1 mil. No mesmo pregão eletrônico, o STF ainda comprou duas mesas de reunião ovais por R$ 12,2 mil. A empresa vencedora foi a RD Móveis (clique aqui para ver a nota de empenho da compra).

O ministro Gilmar Mendes também disse, ao tomar posse no CNJ, que, em algumas obras do Judiciário, pode estar havendo excessos. “Tenho a impressão que este é um tema sensível. É preciso que encontremos critérios, diretrizes padrões para sabermos de fato se aqui ou acolá pode estar tendo excesso. Administramos um orçamento exíguo, com limitações. Em alguns casos temos comarcas em que falta papel, questões básicas ligadas à informática. E em outros casos verificamos às vezes um excesso quanto à construção de obras. É preciso que estabeleçamos um padrão adequado. Essas insinuações às vezes podem ser acusações legitimas”, destacou Mendes.

Já o ministro Marco Aurélio Mello, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ironizou a declaração de Mendes. Marco Aurélio tem sido o maior defensor da manutenção do orçamento do Poder Judiciário. “Vamos conseguir uma sede para o CNJ. Ele tem como atribuição planejar o Judiciário como um todo. Não é desejável funcionar no mesmo prédio do Supremo”, comentou.

O Contas Abertas entrou em contato com a assessoria do Supremo para saber qual o destino do sofá e quem irá usá-lo. No entanto, até o fechamento da matéria, ninguém comentou sobre o assunto.

Supremo gastou R$ 2 milhões com mobiliário em 2007

No ano passado, o STF gastou R$ 2 milhões apenas com mobiliário em geral. Já a União (Executivo, Legislativo e Judiciário) gastou R$ 328,9 milhões com o mesmo item. Esse gasto da União com a compra de mobília em geral foi superior, por exemplo, aos gastos do governo federal com o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil em 2007, R$ 274,3 milhões.

Leandro Kleber
Do Contas Abertas

(colado de http://contasabertas.uol.com.br/noticias/detalhes_noticias.asp?auto=2187)

É pior quando ocorre no judiciário, porque é lá que tentamos depositar o que nos resta de esperança.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Frase sempre atual quando se fala em política.

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86).

segunda-feira, 24 de março de 2008

De faxineira a associada do MIT

24/03/2008 - 07h53
Mineira passa de faxineira a pesquisadora de Harvard

Ilma Paixão estava decepcionada com o Brasil quando resolveu deixar o país em 1984. Não era apenas a crise econômica que assolava o país que a incomodava, mas a falta de oportunidades para "mulheres e, principalmente, mulheres de cor", disse.

"Eu entro naquele quadro 'mulata do Sargentelli'. Tenho um corpo mais moldado, sou alegre, comunicativa, simpática com as pessoas e, no Brasil, se você tem essas características, essa passa a ser a sua única característica", disse Ilma à BBC Brasil.

"Pra mim foi revoltante, vi muita coisa e notei que, por mais capacidade que eu tivesse, seria muito difícil chegar onde meu idealismo pensava que uma mulher como eu pudesse chegar", contou.
Ilma tinha 20 anos e trabalhava como enfermeira em Governador Valadares quando soube que um empresário carioca estava ajudando valadarenses a deixar o país.

"Quem contou para a gente das oportunidades da vida lá fora, quem abriu nossa mente foi o empresário Roberto White, que ajudou vários valadarenses a deixarem o Brasil entre 1984 e 86. Eu vim com um grupo dele, com a cara e com a coragem", disse Ilma.

Ela desembarcou em Miami e, de lá, seguiu para Boston. Quando chegou à cidade, não falava nenhuma palavra em inglês e foi dormir em uma quitinete com outras nove pessoas. "Tinha gente dormindo até no banheiro", recorda.

Líder comunitária
Depois de instalada em outra casa, junto com outros imigrantes brasileiros que também haviam ido com a ajuda de White, Ilma começou a trabalhar na cozinha do Hotel Sheraton na cidade.

"Ninguém trabalhava menos que 60 horas por semana. Mas, na época, se ganhava bem, já dava para fazer uns U$7 ou U$8 por hora", conta.
Ilma guardava dinheiro para ajudar a família no Brasil e continuar a vida nos Estados Unidos. À medida que a situação melhorava, ela trazia os parentes do Brasil. Quando teve a primeira filha, em 1987, chamou a irmã e a sobrinha, depois trouxe o irmão e os sobrinhos.

Quando os filhos já estavam um pouco maiores, ela começou a trabalhar como doméstica. Foi a partir desse período que seu envolvimento com a comunidade brasileira se tornou maior e aumentou seu interesse pelo engajamento social e político.

"Limpando as casas, eu conheci várias famílias brasileiras, criei um grupo de orações, fazia reuniões. Assim, foi surgindo uma comunidade mesmo", contou.

"Tinha um patrão brasileiro que me dava o jornal New York Times e as revistas New Yorker e Forbes para ler e eu fui me interessando. Sempre que dava, fazia cursos profissionalizantes, buscava cursos gratuitos e fui me especializando", conta Ilma.

Quando uma das sobrinhas entrou para a escola, em 1986, Ilma passou a trabalhar ativamente em campanhas para levantar fundos para a instituição, fazia reuniões com pais e começou consolidar a trajetória de ativista social.

Seu interesse nas atividades sociais e como líder comunitária fez com que fosse eleita, mais de uma vez, como a presidente da Bramas (Brazilian American Association), que presta assistência a brasileiros em Framingham.

Capacitação
No entanto, foi o projeto Handeiras, criado por ela em 2003, com o intuito de capacitar rendeiras brasileiras da comunidade indígena de Xukurus, que lhe rendeu o título de professora associada no Centre for Reflective Community Practice do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT, na sigla em inglês), que trabalha com desenvolvimento econômico para comunidades e inovações comunitárias.

A idéia do projeto é simples: Ilma vai até o Brasil, seleciona algumas peças produzidas pelas rendeiras e as vende como produto artesanal em lojas nos Estados Unidos. O dinheiro revertido é reinvestido na comunidade em escolas, cursos de capacitação, construção de ateliês e outros projetos.

Desde a criação, o projeto já ajudou a manter mais de 200 crianças na escola e já auxiliou mais de 300 agricultores, além de garantir a renda para mulheres que produzem o artesanato.

"Para mim, o grande motivo deste trabalho é porque vejo tantos brasileiros aqui nos EUA que estariam vivendo muito melhor no seu país, ganhando um salário e vivendo na sua terra. Alguns brasileiros que estão aqui perderam o caminho de casa", disse.

"Minha idéia é distribuir o trabalho deles para fora para que eles possam viver na sua terra, ter oportunidades no Brasil e já conseguimos isso com o grupo que ajudamos", contou Ilma.

O modelo fez tanto sucesso que, neste ano, o projeto de capacitação comunitária desenvolvido por Ilma foi aprovado pelo Ministério da Cultura e, em três anos, será adotado em outras comunidades indígenas do Brasil, em uma parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O projeto de capacitação também chamou a atenção do departamento de Língua Portuguesa da Harvard e do grupo de agentes culturais da universidade, onde Ilma foi convidada a trabalhar como pesquisadora para implementar o modelo na comunidade brasileira da cidade de Framingham, em Boston.

"A realidade é a mesma em qualquer lugar que você vá, por isso, apesar de fazermos o projeto para a comunidade brasileira, a capacitação pode ajudar comunidades de vários lugares", conta.

"É maravilhoso poder retornar ao Brasil e fazer alguma coisa para ajudar", disse Ilma.

Apesar do entusiasmo e dos esforços para auxiliar os brasileiros, Ilma não pensa mais em voltar ao país.

"Mesmo achando que poderia ser de grande valor no meu país, não acho que o Brasil valorizaria um talento como o meu. O Brasil é um país de aparências e eu jamais conseguiria viver pensando que a sociedade está mais preocupada com o que eu tenho do que com o que sou", disse.

(Colado de http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2008/03/24/ult4909u2982.jhtm)

Comento depois...

quarta-feira, 12 de março de 2008

Nas prisões brasileiras...

Nossa Barbárie Prisional. Brasil rumo ao troféu mundial de violência e da corrupção

O Brasil, com seus métodos prisionais medievais, desumanos e cruéis e sua frouxidão punitiva frente aos corruptos e corruptores, continua firme na sua "aguerrida batalha" pela conquista do título de campeão mundial da violência e da corrupção. No que diz respeito ao item violência, diante de tudo quanto foi noticiado sobre nossos presídios nos últimos tempos, pode-se prognosticar: ele vai chegar lá! Já são 507 anos de atrocidades (ou melhor: de "investimento público" nas carreiras criminais dos excluídos e desdentados). Não se constrói um país violento e corrupto da noite para o dia. Nem a inércia (por si só, isoladamente) conta com força suficiente para isso.

Em outras palavras: a conquista de um título (sobretudo quando mundial), ainda que nada honroso, exige muito esforço. É preciso agir e impor em todo momento a cultura da violência e da corrupção. O inimigo do sistema penal colonial e senzaleiro (cf. Carlos Guilherme Mota, em O Estado de S. Paulo de 09.12.07, p. J4) é um ser execrável e "mortável" (pode ser executado em qualquer momento, porque não é uma pessoa que exerça direitos, sim, uma coisa). Aliás, quanto mais "limpeza" se faz, mais pontos o Brasil conquista (em sua "desenfreada corrida" no campeonato acima referido).

Em 1989, no 42º DP em São Paulo, 18 presos foram barbaramente asfixiados por policiais. Em 1992, na Casa de Detenção em São Paulo, 111 foram brutalmente executados. No ano 2000, 13 foram assassinados no presídio Mata Grande em Rondonópolis (MT). Em 2002, no presídio Urso Branco (Porto Velho, RO) 27 foram mortos. Outros 30 foram mortos em 2004 na Casa de Custódia de Benfica (RJ). Em 2007, na Cadeia Pública de Ponte Nova (MG), mais 25 mortos. Em 2008 mais oito mortos na cadeia pública de Rio Piracicaba (MG) e assim por diante. Mulheres acham-se mescladas com homens. Menores estão amontoados com adultos. Uma menor pode ser estuprada seis vezes por dia, durante um mês (e nada acontece). Um menor pode receber choques da polícia até morrer. Ninguém é preso por isso. Onde não há vaga, acorrenta-se o preso (como se fez em Palhoça-SC) e já está!

Tanta carnificina e desumanidade não pode ser fruto de "erros freqüentes" (como sublinhou Fernando Salla, em O Estado de S. Paulo de 09.12.07, p. J5). Essa violência ocorre dentro de um território que deveria ser administrado exclusivamente pelo Estado (mas não o é, porque agora conta com a concorrência dos grupos organizados), mas conta com a ação ou omissão das autoridades responsáveis pelo setor assim como com a conivência de grande parte da sociedade brasileira.

Desde o descobrimento do Brasil tudo se faz, sobretudo nos estabelecimentos que recolhem pessoas privadas da liberdade, em favor da violência, das atrocidades e da crueldade. Falta lei? Não. Leis existem. O que não existe é consciência de que devem ser cumpridas, respeitadas. O horror dos presídios brasileiros historicamente só é denunciado (e gera certa sensibilidade) quando gente graúda nele é recolhida. Isso ocorreu, por exemplo, na Inconfidência Mineira, na Revolta dos Alfaiates, na Ditadura militar bem como nas recentes operações da Polícia Federal.

Num país de tradição hierarquizada (de capitanias hereditárias, atrasado) o presídio (que só recolhe gente das subclasses, os "desqualificados") é a última coisa com que sua camada dirigente "estamental, escravagista, colonial, senzaleira e tendencialmente corrupta" vai se preocupar. Afinal, não estamos falando de gente (cidadãos com direitos), sim, de coisas, que ostentam hoje condições piores que no tempo da escravidão. Pelo menos naquela época havia preocupação com a mão-de-obra que o escravo prestava. No tempo do Estado Novo o jurista Sobral Pinto conseguiu a soltura de Harry Berger invocando perante Getúlio Vargas as normas da Sociedade Protetora dos Animais. Os presos brasileiros hoje nem sequer essa proteção vêm recebendo.

"Governar é prender", dizia Francisco Campos, que foi Ministro da Justiça durante o Estado Novo. Essa absurda "lição" continua mais atual que nunca. Um terço dos presidiários brasileiros que se encontram recolhidos em presídios (120.000) não tem sentença definitiva (Folha de S. Paulo de 25.12.07, p. C1). São presos provisórios. O Brasil hoje já conta com 420 mil presos. Em cadeias públicas acham-se amontoados cerca de 60 mil (todos também provisórios). Isso significa que cerca de 40% dos presos ainda não foram condenados. Muitos são inocentes e serão absolvidos, mas já estão "cursando" as "faculdades do crime" (que são os cárceres brasileiros). Com todo esse "esforço" prisional estratégico, de lotar nossos estabelecimentos penitenciários com gente desdentada, analfabeta etc., preparando-os para o futuro consistente em matar ou morrer, haveremos de conquistar o título tão cobiçado: campeão mundial da violência e da corrupção. Chegaremos lá!

Winston Churchill disse que os métodos penais de uma sociedade são o índice e medida do seu grau de civilização. Dostoievski, por seu turno, afirmou: os standards de civilização de uma nação podem ser aferidos quando abrimos as portas das suas prisões. Pelo critério que acaba de ser exposto, o Brasil (claro) não é nada civilizado. Os presídios, incluindo os brasileiros, não têm nada de falência ou de fracasso (Foucault). Em muitos países eles foram feitos para delimitar certa forma de delinqüência, ainda que mediante violência e corrupção. Logo, vêm cumprindo fielmente suas finalidades ocultas. É dessa forma que o Brasil vai se transformando num forte candidato ao título acima anunciado.


Autor: Luiz Flávio Gomes

doutor em Direito Penal pela Faculdade de Direito da Universidade Complutense de Madri, mestre em Direito Penal pela USP, secretário-geral do Instituto Panamericano de Política Criminal (IPAN), consultor, parecerista, fundador e presidente da Cursos Luiz Flávio Gomes (LFG)

Presídios brasileiros geram "baixa produtividade". "Só" 70% de reincidência

O Ministro da Justiça confirmou: "de cada dez detentos postos em liberdade sete voltam à prisão por novos delitos" (O Estado de S. Paulo de 25.01.08, p. C4). O índice de "produtividade" dos presídios brasileiros é de 70%. Anda baixo! Tendo em vista as condições atuais desses presídios, o mais lógico e natural seria uma reincidência de 100%. Nesse setor o Governo e a sociedade brasileira têm algo mais para fazer (para alcançar a plenitude dos 100%).

O que já se fez não foi pouco, mas ainda falta alguma coisa. O Brasil é o quarto país do mundo no item explosão carcerária. De 1990 até 2008 o crescimento populacional penitenciário foi de 500%. Fechará o ano de 2008 com cerca de 500.000 presos. Alcançamos o quarto posto mundial em número de presos (cf. Julita Lemgruber, em Diário de Notícias de 29.11.07, p. 1). Nesse item, o Brasil só perde para EUA (cerca de 2,2 milhões), China (1,6 milhões) e Rússia (cerca de 0,8 milhão) (cf. World Prison Population List, do International Center for Prison Studies do King’s College de Londres – www.kcl.ac.uk). Já ultrapassou a Índia, que conta com mais de um bilhão de habitantes.

O sistema prisional brasileiro oferece 262 mil vagas. O déficit gira em torno de 260 mil. O Governo vai investir este ano 329 milhões de reais para a construção de novos presídios, ou seja, de novas "faculdades do crime". O Estado de São Paulo é o campeão nacional em construção de presídios, mas continua com 50 mil vagas de déficit. Conta com 150 mil presos (35,7% do país) e um "decepcionante" índice de reincidência (58%). Dos 7 mil presos que o sistema devolve para a sociedade, ("só") cerca de 4 mil reincidem. Pelo que os presos aprendem dentro do presídio e pelo tratamento que recebem fora dele (como egressos), é um "baixo" índice. Tende a crescer (pois do contrário o Brasil não se firma como forte candidato a país mais corrupto e violento do mundo).

Um quarto dos presidiários são de baixa periculosidade (é o que disse o Ministro da Justiça). Poderiam ser punidos com penas alternativas, mas ocorre que essas penas impedem o infrator (amador) de passar pela escola do crime, que é a prisão. É por esse motivo que lá se encontram.

Há mais de 160 anos critica-se duramente a prisão. Depois de quase dois séculos de "monótonas críticas" cabe perguntar: afinal, a prisão é um fracasso ou um sucesso? Um sucesso, responde Foucault (Vigiar e Punir, tradução de Raquel Ramalhete, 34. ed., Petrópolis: Vozes, 2007, p. 223 e ss.). A prisão (e o castigo em geral) "não se destina a suprimir as infrações, sim, a distingui-las, a distribuí-las, a utilizá-las (...) a penalidade é uma maneira de gerir as ilegalidades (...) ela não reprime todas as ilegalidades, as diferencia (...) a prisão faz parte do mecanismo de dominação, ela serve aos interesses de uma classe".

A prisão, "aparentemente ao ‘fracassar’, não erra seu objetivo; ao contrário, ela o atinge na medida em que suscita no meio das outras uma forma particular de ilegalidade, que ela permite separar, pôr em plena luz e organizar como um meio relativamente fechado mas penetrável. Ela contribui para estabelecer uma ilegalidade, visível, marcada, irredutível a um certo nível e secretamente útil... ela desenha, isola e sublinha uma forma de ilegalidade que parece resumir simbolicamente todas as outras, mas que permite deixar na sombra as que se quer ou de deve tolerar".

Em outras palavras: a prisão não é um fracasso, sim, um sucesso, porque ela consegue (como nenhuma outra instituição) produzir uma espécie de delinqüência (normalmente violenta), inclusive organizada (desviando a atenção da massa em relação à criminalidade diária das camadas abastadas). Os mais famosos grupos organizados (PCC, Comando Vermelho etc.) nasceram dentro dos presídios (precisamente porque é dentro deles que os contatos são feitos, que as experiências são trocadas, que os "soldados" são treinados etc.).

O crime violento dos presidiários precisa ter visibilidade (daí a necessidade da divulgação dessa violência pelos meios de comunicação). É preciso gerar ira na população, que se volta para esse tipo de criminalidade, ficando fora da sua percepção a delinqüência fraudulenta, a corrupção, que é típica das camadas sociais privilegiadas. A prisão é um sucesso porque ela identifica uma das criminalidades do país, ela especifica (e publiciza) um tipo de delinqüência (deixando outra – a das classes sociais potentes - na sombra, no esquecimento). Os delinqüentes presidiários ou presidiáveis (os que habitam ou podem habitar a prisão) são apresentados como temíveis, próximos, estão presentes em toda parte. Essa é a função do noticiário policial, que se preocupa em mostrar (com toda dramatização inerente) um delinqüente desajustado, marginalizado, fora do cotidiano familiar e laborativo.

Ficam completamente fora desse contexto as operações da Polícia Federal voltadas para a investigação dos criminosos poderosos (juízes, promotores, parlamentares, ministros, empresários etc.). Também não se coaduna com esse quadro o contranoticiário dessas operações (envolvendo nomes de gente graúda). Tudo isso foge do cotidiano, do normal. São elementos novos, certamente "perturbadores" do "bom" desenvolvimento das atividades criminais das classes privilegiadas (que, muitas vezes, são a raiz da criminalidade das camadas mais pobres).


Autor: Luiz Flávio Gomes